quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Liberdades

Vivo condicionado.
Não por inteiro, momentos de mim.
Partes da minha vida são ditadas pelos outros, e não pode deixar de ser.
Há quem diga ser livre, pensa que pode fazer tudo que lhe vier a cabeça.
Contesto. Discordo.
A juventude luta por uma liberdade, há os idealizadores, que lutam para serem livres, que se pensam como seres livres, mesmo debaixo das asas dos pais.
O caro leitor há de concordar que liberdade é um termo muito amplo, para almeja-la e critica-la.
Creio que a liberdade existe. No entanto não em seu sentido geral, amplo, esparso, mas sim liberdade em algo, para fazer alguma coisa. Por exemplo, há pessoas que tem liberdade na área dos relacionamentos, outras já não, tem impedimentos, próprios ou não. "O que vão pensar de mim se me virem com tal pessoa?", nesse caso esse seria um certo impedimento para determinada pessoa.
Passado esse momento chato de explicação, espero que concorde comigo que muitas vezes não podemos realizar o que queremos, há muita coisa em "jogo", valores, família, sociedade, regras, leis e uma infinidade de fatores, até mesmo fatores geográficos, atléticos, sei lá o que mais, o fato é: vivemos condicionados.
Eu não tenho certas escolhas, você não, ninguém tem.
E como viver diante de algo que você quer atravessar mas não pode?
Em alguns casos pode ser medo, acomodação, 'n' motivos.
É certo que pra tudo há uma solução, a "liberdade" na verdade existe, o que ocorre é que o caminho que deverá ser percorrido para alcançá-la pode não valer a pena.
E não venha me falar que a liberdade vale qualquer preço.
Talvez aquela no sentido amplo valha, mas pequenas liberdades podem não valer.
Por fim, penso que devemos abrir mão de algumas para que tenhamos outras.
E não poderia haver melhor conclusão que essa, pelo menos até o momento.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

"Pois se a vida pede a morte...

..talvez seja muita sorte eu ainda estar aqui."


marcelo Nova




Rei Anão se pronuncia:

É loucura procurar sentido na vida,
Está aqui para ser vivida, bem vivida.
Busque a alegria, porém tome cuidado, por vezes a buscamos nos lugares errados.
Um pensamento que me vem é: O que nos resta disso?
Talvez nada, talvez tudo, mas é pura loucura pensar nisso.
De qualquer jeito a vida leva a morte.
Tudo acabará no grande barranco, eu só espero estar rindo.
Procuro uma vida feliz, mas tudo parece tão vazio hoje, tão vazio que não vejo sentido na vida, e loucos ainda são os outros, que sabem, ao menos hoje, o complexo sentido da vida.
É uma pena que este seja pessoal e intransferível.

"Pois se a vida pede a morte.....
talvez seja muita sorte eu ainda estar aqui."





Tocando em Frente - Almir Sater

Composição: Almir Sater e Renato Teixeira

"Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Ou nada sei

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa"

Thandara, só faz um adendo:
Não sei o que dizer, mas posso pelo menos agradecer.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Mais afins sobre a promiscuidade e a vida digna

Vida digna ou promiscuidade? Então, como uma fêmea humana jovem, não sei o que combinaria para mim, pois parece-me que é isso que temos como escolha.
Mulher digna..o que seria isso? Uma mulher que não vive na "sacanagem", bem descrita por nosso comparsa Rei Anão? Será que isso valeria a pena, sonhar com um príncipe encantado, se guardar para o carinho de alguém que pode não ser tão carinhoso assim? Poxa, o relacionamento sério é tão mal visto aqui na nossa sociedade, parece que tem que perder o carinho e o encanto do início. Ao mesmo tempo é muito desinteressante pois dita algo que reprime e aprisiona, delegando o prazer a algo inicial, mas salva da vida "sem carinho", "sem amor verdadeiro " e cheia de "rejeições" que uma pessoa vista como libertina teria.
Daí chegamos ao ponto da promiscuidade. Promíscua é a pessoa que procura somente a felicidade carnal? Bem, pode ser. Mas cada um tem dentro de si o lado Homo do sapiens sapiens que prega a pereptuação e o prazer é momentâneo, e vicia. Junte o útil com o agradável e daí sai o que chamamos de sacanagem. E promíscuas seriam as pessoas que precisam e querem mais do que a sociedade dita como normal, se bem que hoje não sei o que é normal. E também não sei se não haveria alguma falta de carinho (mesmo que momentâneo e bem variado) ou rejeições tantas quanto se diz.
Ponto pessoal agora: viver a relação do ponto de vista da sacanagem é bom, é válido, mas não me vale como hobby. A sensação de estar como que usando uma droga, que é boa na hora mas depois dá bad trip é muito grande...mas não ganha da sensação de sentir-se levemente usada. Não é questão de puritanismo, mas talvez de pessoas erradas. Há pessoas que mesmo sendo algo passageiro não dão a sensação de vazio, mas de um modo geral foi mais isso que felicidade...
E com questão ao carinho de algo mais sério, de ser uma moça direita, é bom também, mostra o quanto as pessoas podem ser mais do que meros peões que nos cercam, e o quanto cada um coloca de si quando está se doando ao outro, mas apavora-me pensar em cair na idéia de mesmice incutida na cabeça das pessoas.
Não pretendo meu futuro caído na sarjeta com a maquiagem borrada nem uma obesa mãe de 3 e babá de bebum. Posso ser diferente, mais uma vez?? Por enquanto ando assustando muitos com isso, visto que não há corajosos.
Um link para uma música que me inspirou um pouco para escrever hehehheh Isabella Taviani - Luxúria

Thandara, só. Só e bem acompanhada de quem quiser, quando quiser e como quiser.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Questão de escolha...

Há diversas formas de se relacionar, diferentes tipos de relacionamento. Percebi que relacionamentos não são nada iguais, nenhum beijo é como o outro, nenhum abraço, nenhuma fala, enfim, nada. Parece óbvio, mas as vezes nos relacionando pensando que será como da outra vez, grave engano.
Uma grande diferença que percebi, eu mesmo, com relacionamentos que tive é a distância que existe entre sacanagem e carinho, digo isso enquanto relacionamentos breves, os ditos, ficar.
Tive dois exemplos opostos que me fizeram me atentar pra isso.
Sacanagem é bom? É bom, prazeroso, mas passada esta, o que resta? Porra nenhuma!(sem duplo sentido...rs)
Com o carinho é diferente, fica guardada a boa sensação, porque o carinho que se tem pela pessoa é demonstrado. Não conheço e creio não ser possível demonstrar falsas carícias. Até hoje vi pessoas acariciando outras por vontade própria, não que elas decidam assim:
"Irei fazer carinho nele porque tenho carinho por ele."
Não!
Simplesmente acontece, naturalmente, algo que vem de dentro, inconsciente.
Carinho, amor, duram, inda que na memória. A demonstração de carinho acaba, o carinho não.
Sacanagem, sexo são passageiros, se não forem acompanhadas de sentimento, carinho, amor e tantos outros inúmeros que não seria capaz de descrever.

Não vejo problema em querer só "sacanagem", ou algo totalmente sem compromisso, sem sentimentos, cada um procura o que lhe satisfaz. Comigo foi assim, busquei, me satisfiz mas senti falta do depois e não sei se alguém é capaz de não sentir-se também vazio. A relação de carinho também gera falta depois, não de sentimento, mas da pessoa.

Segue a música Amor e Sexo da Rita Lee que fala sobre o assunto, essa diferença.
Vídeo da música

Letra:
AMOR E SEXO
(Rita Lee / Roberto de Carvalho / Arnaldo Jabor)

Amor é um livro - Sexo é esporte
Sexo é escolha - Amor é sorte
Amor é pensamento, teorema
Amor é novela - Sexo é cinema
Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa - Sexo é poesia
O amor nos torna patéticos
Sexo é uma selva de epiléticos

Amor é cristão - Sexo é pagão
Amor é latifúndio - Sexo é invasão
Amor é divino - Sexo é animal
Amor é bossa nova - Sexo é carnaval

Amor é para sempre - Sexo também
Sexo é do bom - Amor é do bem
Amor sem sexo é amizade
Sexo sem amor é vontade
Amor é um - Sexo é dois
Sexo antes - Amor depois
Sexo vem dos outros e vai embora
Amor vem de nós e demora


Não digo que concordo com toda a letra, no entanto tem passagens interessantes. Aproveitem, discutem, pensem, e opinem, afinal, estamos aqui para isso.

Rei Anão, rasgando o verbo.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

GRITO no vácuo

Grito no vácuo, o que seria isso?
Sempre me disseram que o som não se propaga no vácuo, será a afirmação verdadeira?
Não faço idéia se isto é verdade, nunca pude comprovar, no entanto, acreditamos nas coisas ditas, as quais não entendemos muito, aceitamos.
E gritar no vácuo, seria loucura?
Seria racional? Um teste?
Talvez um pouco de tudo.
O primeiro pensamento é gritar, gritar em vão, sem nunca jamais ser ouvido, com somente um pensamento na cachola, vale a pena?
Falar sem ser ouvido pode ser atraente, censura não há, a não ser a sua própria.
Agora, pode-se também referir-se a contestação das leis "naturais"(humanas). Nunca gostei de acreditar em tolices, cegamente. Será mesmo assim?
GRITEMOS, e só assim, veremos, ou ouviremos, sei lá.rs

Vida Longa ao Rei Anão


Obs: Existe vácuo?

sábado, 24 de novembro de 2007

Novembro

Novembro está terminando de escorrer do meu calendário, e não sei o que fazer. Não consigo mais segurar um ano sequer de minha vida, eles se transformam, não deixam que eu os perceba até que seja tarde demais. E por acaso não é a minha vida que está pasando lá adiante, carregada por mais um ano maluco e disfarçado de rotina?? Nem sei se o meu interesse vai me deixar perceber que logo mais já é janeiro.

Lá fora as pessoas falam alto nas ruas, tentando nos deixar a par de suas vidas inconscientemente: "Mas eu já lhe disse, Marta, não faça isso, Marta!". e quem será a tal Marta, que povoa a fala deste cidadão inconformado?? Será que ela vive numa casa onde as paredes são de giz, como a Beatriz, e ele as apagou, como apagou a Marta de sua vida, e ela ainda não se conformou que já não é mais moça?? Eu queria entrar no pensamento das pessoas, interpretar-lhes melhor, saber dizer o que não querem, subvertê-las, controlar-lhes as almas. Como hobby. Como prazer. Minha maldade não é física, mas sim puramente mental, de controle, de possessão.
O ano termina e eu sonho com minha exterminação parasitológica, meu delicioso fracasso social e minhas ambições pequenas e imediatistas. Espero que no próximo ano todos nossos sonhos se realizem, num clichê natalino e artificial.

Thandara, só.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Histórias escritas em quadradinhos de papel

I.
Alguns moleques jogam futebol, a lama cobrindo suas derrotas, a chuva lavando-lhes os pés.
Enferrujando os troféus.
Porém não solubilizando a glória
Da boa e velha
Pelada de rua.

II.
Ele andava olhando para o chão. Milagres nunca acontecem, e nunca iriam acontecer, certamente, pois assim funciona o mecanismo mítico dos milagres, senão não seriam assim chamados. Assim pensava nosso cidadão, num dia qualquer, em que seus compromissos serviriam somente para preencher mais um período com nada mais que o vazio. Passo após passo, percebe nosso camarada que o ar tornara-se diferente. Respirar era diferente, havia algo mais profundo e denso do que qualquer matéria, talvez com um toque de vida e um cheiro esquisito. Foi aí que o milagre aconteceu. Choveu.

III.
Não sei como sentir o gosto do novo. Somos mal acostumados a transformar a novidade em trivial. Talvez não haja coisa nova. Todos vivemos esperando uma pessoa que se foi há mais de dois mil anos voltar, mas não fazemos nada coerente para que isso aconteça. Às vezes tenho vergonha do mundo, mas mais vergonha ainda da porcaria da raça humana, que ainda se acha superior porque possui um tal de pensamento contínuo e organizado, que enquanto criava uma maquinaria pra salvar vidas pensava em como ela poderia furar o olho do outro...

IV.
Por vezes lembro-me de algumas professoras, em aulas de redação. Foi um período de absoluto terror, pra mim. Não sei se era só comigo, mas achava que as minhas professoras pasavam por um período de falta de criatividade constante, e nós por uma vergonha constante causada por elas.
Uma vez uma delas pediu para escrevermos uma redação sobre uma pessoa com uma mania esquisita. Gente, até hoje eu não conheço ninguém com uma mania digna de ser contada numa redação. Pior é que no fim das contas a história ficou uma droga, porque tive que ouvir que a mania não era tão esquisita. Em outra vez, foi uma história de um menino numa casa abandonada(história de terror de quinta). Uma outra, troca de papéis entre mãe e filha (clichê do cinema!). Poemas pra rimar coração com paixão e amor com dor. E ainda éramos obrigados a ler para os colegas.
Acho que é por isso que as crianças não estão nem aí pra certas coisas e a educação sempre toma pau no fim do ano, porque com professoras assim a vontade de estrangular o pescocinho delas como a gente faz com galinhas caipiras não seria nem um pouco condenável.

Thandara, só.